Dark Light

quem acompanha o ambiente circular sabe que uma das bases de nossa proposta está no despertar do sensível, no acordar dos sentidos, no encantamento, no olhar de aprendiz… borrando as certezas em busca de absorver novas perspectivas. 

esse tipo de experiência que a vida urbana cotidiana, na maioria das vezes, não nos permite exercitar. 

acordar o sentir nos dias de hoje não é simples, mas também não é algo que possamos seguir evitando.

atropelar o que se sente, em uma sociedade patriarcal como a nossa, está associado a força e a impossibilidade de se demonstrar fragilidades. um mecanismo de controle construído durante séculos de nossa história.

contudo quando culturalmente negamos nossa sensibilidade, estamos cortando em grande parte nossa capacidade de conexão com quem somos, com o ambiente que nos cerca e com os que nele habitam.

ser sensível, como característica de todo organismo vivo, é estar receptivo, perceber, reconhecer estímulos internos e externos, antes mesmo de racionalizarmos a questão. 

ao silenciar o sensível em nós, agimos como se fechássemos os poros, impedindo permeabilidade ou respiração.

nos encapsulando de tal modo, bloqueando fluxos vitais de troca e desenvolvimento, que adoecemos. 

em tempos de inteligência artificial, talvez devêssemos olhar para inteligência natural impressa na afetação sensível e na interdependência presente em toda a natureza, no contato.

tenho para mim que isso não é algo que possamos apenas racionalizar, sem antes vivenciar a experiência… o sentir, a afetação, a interdependência, só se fazem transformativos quando verdadeiramente experienciados. 

poderia mencionar aqui estudos e pesquisas que demonstram que ecossistemas florestais, por exemplo, se correlacionam em grande diversidade favorecendo a manutenção da vida, mas certamente isso não substitui a experiência de observar com presença, por exemplo, a interação das árvores e espécies rasteiras em ambientes florestais úmidos.

por isso conexão e sensibilidade, especialmente nos dias de hoje, é algo que devemos fortalecer pela prática, no exercício cotidiano. 

enquanto nos preocupamos em mostrar ao mundo ou em provar para nós mesmos que somos capazes de grandes feitos, nos esquecemos daquilo que é mais simples, do contato apenas pelo contato, onde a vida realmente acontece. lugar onde novas percepções são possíveis, tanto quanto novas formas de nos relacionar. 

pintura “Spring” de Claude Monet, 1875

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